Uma sala vazia

Sendo este o primeiro post do blog, achei digno que houvesse uma explicação pela escolha do nome, e por que não explicar com uma história?

Seus olhos percorriam as páginas do livro como as pernas de Lúcia percorriam a sala vazia, o guarda-roupa à sua frente instigava a curiosidade de ambos. Quando ela passou da sala vazia para Nárnia os olhos do menino, vidrados no livro se abriam e seu mundo nunca mais foi o mesmo.

Cada porta poderia levá-lo ao mundo de Nárnia, cada quadro poderia conter a chave, ele queria o Outro Mundo.

Anos mais tarde a busca não diminuiu, porém, a infância passa, a adolescência passa, preocupações do empolgante mundo adulto vão ganhando espaço, contas, boletos, futuro, as questões filosóficas da vida, quem não gosta disso, certo?

Errado.

E foi em um dia assim, que ele encontrou sua Sala Vazia.

Já ventava frio pela janela de seu quarto e a Lua já não dominava mais o céu, o sol porém estava longe de clarear o azul e esconder as estrelas, ele sentou-se na cama com um nó na garganta, seu travesseiro o havia expulsado, seus olhos queriam ficar fechados, sua mente os queria bem abertos, como se de repente do meio da escuridão do quarto uma solução pudesse brotar.

Tocou os pés no chão frio e os forçou a carregá-lo até a cozinha, bebeu um café que já estava frio, mas, seria suficiente, caminhou até o quarto, sentou-se à mesa, puxou uma folha de papel, um lápis, e lá estava.

Em outro mundo.

Em uma Sala Vazia, as paredes eram estantes, as paredes eram folhas, o chão eram cenas, uma menina abrindo um guarda-roupa, ela e seus irmãos coroados em um Castelo enorme, um hobbit carregando um anel, um dragão caindo após uma flechada, um mago instruindo um rei, um passo e uma aranha envenena um fotógrafo, um herói mascarado, um garoto chorando em um beco com os pais mortos e a sombra de um morcego, pessoas rejeitadas pela sociedade se unem em uma escola para proteger o mundo que os odeia, outro passo e aparece um guarda-roupa, não como as folhas que são as paredes, um guarda-roupa real, dentro da Sala Vazia, ele corre para dentro do guarda-roupa e começa a cair.

Ele continua caindo.

Ele vai caindo e vendo palavras.

Ele entende as palavras, mas continua caindo.

Ele percebe que pode juntar palavras, caindo.

Ele continua caindo.

Ele liga palavras e com elas forma uma ponte, um castelo, um par de asas, e então volta, voando assustado pela porta do guarda-roupa, direto para o seu quarto, um pouco mais claro do que ele se lembrava, na sua frente uma folha, com palavras que pareciam uma ponte, um castelo, um par de asas, ele aprendera a arte de voar.

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